Bere Talo
Ó bravos que a terra em sangue regastes,
De peito erguido ante feroz tirano,
Que em sombras de guerra e pranto quedastes,
Sonhando um dia por fim soberano.
Vossas mãos, calosas, do fuzil à enxada,
Forjaram o trilho de um povo leal,
Mas ai! que a glória em prata dourada
Já veste os falsos num festim real.
No monte, no vale, na gruta esquecida,
Muitos tombaram sem ver alvorar,
E os que ficaram, de luto na vida,
Contam as dores do mesmo penar.
Pátria Maubere, hoje quem te governa
Não são os filhos que lutaram por ti,
Mas traidores que vestem a gema
E ao pobre roubam o pouco que ali.
Venderam-te em mesas de ouro e mentira,
Traíram-te aqueles que erguiam a mão,
Xanana e Ramos, no luxo, conspiram,
Enquanto o povo se arrasta no chão.
Dizem-se livres, mas forjam algemas,
Dizem-se justos, mas roubam sem dó,
A Pátria Maubere grita os seus lemas,
Mas vive esquecida, na fome e no pó.
Ó filhos do monte, do mar e da serra,
Onde está a justiça que vos prometeu?
Roubaram-na aqueles que hoje prosperam
À custa do povo que sempre sofreu.
Heróis do passado, perdoai este dia,
Em que a justiça se veste de trevas,
Pois vós que morrestes por nobre utopia
Não sois os senhores das grandes sebes.
Mas um povo não morre, nem cede, nem cansa,
E a noite há de ver-se em alvor fulgente,
Que Pátria Maubere é maior que a liderança,
E o sonho mais forte que o ouro reluzente!
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