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Foto, Facebook |
José Salvação
O secretário-geral da FRETILIN, Mari Alkatiri, disse este fim-de-semana que o IX Governo não duraria muito tempo, alegando que, segundo informações de que dispõe, o primeiro-ministro poderá renunciar em breve.
"Não acredito que este governo dure até ao fim. Com as remodelações em curso, já nem se pode falar do IX governo, mas sim de um possível X governo. Se o primeiro-ministro realmente renunciar, isso significa que a vida deste governo será curta. Teremos de formar um novo executivo e aprovar um novo orçamento. Por isso, não faz sentido esperar que este governo se mantenha até 2028", declarou Mari Alkatiri.
As palavras de Alkatiri parecem ter caído como uma bomba no Palácio Presidencial, onde Ramos-Horta, visivelmente incomodado, decidiu reagir com uma fúria desproporcional. Ironicamente, a sua indignação não se centrou na realidade política do governo instável e marcado por escândalos, mas sim no facto de Alkatiri ousar prever o inevitável. Como se fosse um crime antecipar a renúncia de Xanana, o Presidente lançou um ataque pessoal, acusando o líder oposicionista de estar demasiado velho e de se ocupar com trivialidades, em vez de se preocupar com assuntos sérios.
O auge da ironia foi Horta ordenar que Alkatiri cuidasse dos netos e do partido FRETILIN, insinuando que estava rodeado de velhos e sem jovens no partido. No entanto, Ramos-Horta parece ter esquecido convenientemente que ele próprio já não é um jovem revolucionário e que seu principal papel hoje é dizer "sim" a tudo que seu patrão, Xanana Gusmão, determina. Enquanto critica os outros pela idade, continua a ser um espectador passivo de um governo afundado em corrupção, favoritismo e nepotismo.
E como se não bastasse, o Presidente, que de repente se tornou um especialista em política, passa a maior parte do tempo dentro de um avião, supostamente em viagens de "trabalho". No entanto, o povo ainda aguarda o retorno concreto desses compromissos diplomáticos, enquanto vê apenas os cofres públicos serem esvaziados para financiar luxuosos passeios internacionais sem qualquer impacto positivo para o país. Para alguém que se preocupa tanto com a estabilidade política, Ramos-Horta parece muito mais empenhado em colecionar milhas aéreas do que em governar.
Em vez de desmentir a possibilidade de renúncia ou apresentar argumentos concretos sobre a estabilidade do governo, Horta optou por ridicularizar Alkatiri, tentando desviar a atenção da verdadeira questão: a fragilidade do IX Governo e o desgaste acelerado da sua liderança. Assim, ficou claro que o problema para Horta não era a situação do governo, mas sim o facto de alguém ter falado dela em voz alta.
Em tempos de desafios democráticos, é fundamental lembrar que a liberdade de expressão é um pilar da Constituição e um direito inalienável de todos os cidadãos. Ramos-Horta não é o porta-voz do governo, mas sim o guardião da Constituição. As suas palavras não só demonstram ignorância, mas também uma evidente aliança com o partido de Xanana Gusmão, colocando em causa a imparcialidade que deveria caracterizar o Chefe de Estado.
A separação de poderes é fundamental numa democracia, e os atropelos de Horta a este princípio são inadmissíveis e perigosos para um Estado de direito democrático. Um merecido reconhecimento ao líder da oposição por fazer o que tem de fazer, pois uma oposição forte é essencial para uma democracia forte.
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