segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Ramos-Horta e a traição de querer tornar o indonésio língua oficial

Zizi Pedruco

É curioso, para não dizer inquietante, assistir a Ramos-Horta, Presidente da República e suposto guardião da Constituição, a propagar a ideia da língua indonésia como língua oficial de Timor-Leste.

Vindo de quem jurou defender a Constituição, esta sugestão soa menos a visão de futuro e mais a um “lapso” de memória histórica, ou a uma manobra política fria, típica do mais puro maquiavelismo.

A Constituição não é meramente um  texto decorativo, nem algo adaptável às conveniências dos políticos. É clara e inequívoca: Timor-Leste tem duas línguas oficiais, o tétum e o português. Qualquer tentativa de reescrever este princípio à margem do texto constitucional não é modernização, é violação constitucional. E quando essa violação parte do próprio Chefe de Estado, o problema deixa de ser linguístico para se tornar institucional.

Aprender indonésio pode ser útil, sem dúvida, tal como aprender inglês, mandarim ou coreano. Mas a utilidade prática nunca foi critério para tornar uma língua oficial. Se assim fosse, a Constituição já teria sido substituída por um guia de conveniências políticas. As línguas oficiais existem para preservar a nossa história, identidade e resistência, valores que, ao que parece, alguns preferem ignorar e reescrever a história, para satisfazer os seus egos narcisistas, caso de Ramos-Horta e Xanana Gusmão. 

Há um cinismo particular de contradição em propor como língua oficial a língua do antigo invasor, o mesmo regime que assassinou mais de 200 mil timorenses. Esta proposta é feita precisamente por quem construiu parte do seu prestígio político com a postura de resistência à ocupação Indonésia e respeito pelo Direito Internacional. Não é apenas incoerente, é politicamente desconfortável, moralmente questionável, e, diria mesmo, vergonhoso, criminoso até. Mais uma traição de Ramos-Horta contra o povo timorense.

Talvez fosse mais prudente recordar que o maior entrave ao desenvolvimento de Timor-Leste não reside no número de línguas oficiais, mas na fragilidade das instituições, na corrupção, no nepotismo, no conluio com interesses obscuros e no silêncio cúmplice do Presidente da República em torno de redes criminosas que continuam a operar impunemente em Timor-Leste, a começar pelo próprio governo de Xanana Gusmão.

Defender a Constituição começa por respeitá-la, sobretudo quando se ocupa o mais alto cargo da República Timorense.

Vergonha absoluta, Ramos-Horta. Vergonha absoluta.

Ver o vídeo aqui. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

PORQUE NÃO TE CALAS, ROSA HORTA-CARRASCALÃO?


Zizi Pedruco 

Morreu Alarico Fernandes. Para quem não sabe, ele era o meu tio, irmão mais velho da minha mãe. Não o via ou falei com ele há mais de 50 anos; a última vez que o encontrei foi no aeroporto de Díli, no dia 1 de agosto de 1975, quando ia embarcar para Portugal para tratar da minha asma.

Não venho aqui brincar de advogada do diabo nem defender o meu tio Mano, era assim que o chamávamos. Venho, sim, demonstrar o meu repúdio e nojo pelas publicações que a Rosa Carrascalão, irmã de Ramos-Horta, colocou no Facebook, em que chama o meu tio de assassino.

Vi dezenas de publicações de pessoas  a insultar o meu tio após a sua morte e eu  não disse nada. Eu cresci longe dos Fernandes e perto dos Pedrucos, por isso ouvi muitas histórias sobre o meu tio  de pessoas afetas à UDT, a maioria dos amigos do meu pai. Como dizia a minha avó Maria: “Tu és da má raça”, referindo-se à família Pedruco, isso mesmo, avó!

A minha mãe ficou triste com o que viu, mas eu disse-lhe que teria de aceitar e compreender o sofrimento de outras pessoas, das suas famílias e os traumas causados pelo irmão. Não há outra forma de continuar o processo de luto sem aceitarmos que haja acusações ao meu tio.

Dentro da minha própria casa, um familiar de alguém que me é próximo recusou-se a receber-me porque perdeu os filhos em Aileu. Eu disse ao meu marido: eu faria o mesmo, eu compreendo. Também tenho filhos e nem consigo imaginar a dor desta senhora.

Não vale tudo na guerra. Uma vez, uma senhora contou-me uma história tão horrível sobre o meu tio que não consegui dormir durante dias. Ainda hoje tremo ao lembrar-me.

Mas insurjo-me contra as publicações da Rosa Carrascalão, porque as considero irónicas e patéticas. Ela foi casada com João Carrascalão, para mim o maior carrasco da história de Timor-Leste. Foi ele quem chamou os indonésios, quem começou a guerra civil, quem cavou o caminho para a integração indonésia, causando a invasão de 7 de dezembro de 1975 e a morte de mais de 200 mil timorenses. Tenho a certeza de que João Carrascalão não passou pelo purgatório, foi direitinho para o Inferno.

Cala-te, Rosita! Tu, tal como a família Fernandes, também tens telhados de vidro, oh, se tens!

Foi pena que, quando o meu pai e a minha mãe vos pagavam, a ti e ao teu marido,  almoços e jantares, enquanto os chulavas, nunca tivesses trazido o Alarico Fernandes para a mesa. És uma oportunista, tu e a tua cambada! Lembras daquela vez que o meu pai vos levou para um restaurante, “O Tachadas”, em 1994? Eu estava em casa dos meus pais quando vocês lá apareceram e o meu pai  levou-vos para almoçar. Eu não fui convosco, nunca gostei de ti, sempre te achei cínica, sacana, impressões minhas!

Quando vocês voltaram do restaurante, o teu marido de repente ficou pálido e começou a esbracejar super nervoso, tinha esquecido no restaurante a mala dele.  Ainda te lembras o que estava dentro da mala, ou estás a fazer-te esquecida? Pois… a mala estava cheia de dinheiro. Até hoje pergunto a mim mesmo como é que um casal que vivia em Cabramatta tinha tanto dinheiro? Tu lá sabes, eu não faço acusações como tu, só perguntas. Recuperaram a mala, mas apanhaste um susto, não foi, Rosinha? Tanto dinheiro…

Enquanto chulavas os meus pais, não te vi preocupada com o Alarico Fernandes. Um bocadinho de amizade  e solidariedade para com a minha mãe, que sempre foi vossa amiga, fazia de ti uma grande pessoa. Mas como eu digo, tu és mesmo uma mulher que não vale nada, nem para mulher a dias serves; não fosse Timor e estavas a limpar casas de banho, se calhar nem isso! Pessoas como tu não prestam mesmo. Pela minha mãe, pelos anos que vos pagou almoços e jantares, pelo prato onde comeste, devias ter tido mais consideração, não pelo meu tio, mas pela minha mãe! És pior que Satanás, és nojenta!

Já agora, e aquela história de ser procurador , detenção em Sydney e supostas acusações de roubo, como ficamos? E aquelas alegações de um crime supostamente cometido pelo teu irmão Zé contra uma rapariga menor durante a guerra civil, se forem verdade, o Zezinho também vai direitinho para o Inferno fazer companhia ao teu marido. Conta lá no teu Facebook também, Rosinha, conta lá! Hmmmm… isso já não deves querer contar…Cobardolas! 

PORQUE NÃO TE CALAS, SUA DESCARADA?

André Ventura acusa timorenses e indianos de transformar Portugal numa “selva”

Zizi Pedruco 

O candidato à Presidência da República de Portugal  pelo partido Chega afirmou hoje, numa publicação no Facebook, que os timorenses estariam a contribuir para transformar Portugal numa “selva”.

Num vídeo divulgado na mesma rede social, acusa timorenses e indianos de estarem envolvidos em confrontos em Fátima e defende que é necessária uma mudança no país para pôr fim ao que classifica como uma “selva”.

“Indianos e timorenses à luta em Fátima. É preciso parar a selva em que Portugal se está a tornar!!!”, disse.

Nos comentários, a maioria dos seguidores do candidato apelou à deportação de estrangeiros envolvidos em distúrbios.

“Eu resolvia isto num instante. Qualquer estrangeiro que criasse distúrbios era deportado e ficava impedido de voltar a entrar em Portugal!”, escreveu uma apoiante.

Embora goste muito pouco do líder do Chega, considero que a situação é, de facto, preocupante. As autoridades - palavra que até me custa usar quando penso em figuras como o palhaço Ramos-Horta e o corrupto Xanana Gusmão - têm o dever de atuar, pelo bom nome dos timorenses e de Timor-Leste.

Uma amiga minha  timorense, que regressou recentemente de Timor-Leste, contou-me que “os jovens estão perdidos, sem perspetivas de futuro, e que a violência nesta faixa etária tem vindo a aumentar no território".

Não me surpreende, por isso, que a nossa juventude esteja cada vez mais violenta e sem rumo. A culpa não é deles, mas de quem desgoverna Timor-Leste há décadas, saqueando os cofres do Estado para benefício próprio e dos seus familiares. Um dos casos mais gritantes é o da irmã mais nova de Ramos-Horta, Licinia Ramos-Horta, que abandonou o seu trabalho em Portugal para assumir funções de assessora, auferindo milhares de dólares por mês. Vergonha é algo que estas figuras simplesmente não conhecem.

A emigração descontrolada e o desespero de muitos jovens timorenses não surgem do nada. São o reflexo direto de décadas de má governação, corrupção e ausência de políticas sérias de emprego e educação.

Todavia, não se vislumbra no horizonte qualquer esperança de verdadeira mudança em políticas para a juventude. Estamos perante um governo que não sabe governar e um Presidente da República que já apresenta sinais evidentes de declínio cognitivo. 

Ramos-Horta criticou duramente o governo anterior e prometeu uma mudança “radical”, mas as viagens com comitivas maiores do que as do Papa parecem ser mais apelativas do que governar o país.

Importa sublinhar que comportamentos violentos, quando existem, dizem respeito a indivíduos concretos e nunca podem ser generalizados a comunidades inteiras. Muitos timorenses vivem e trabalham honestamente em Portugal há décadas e não podem ser confundidos com atos isolados.

Podem ver o vídeo aqui. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Presidência timorense recorre da decisão de insconstitucionalidade da nomeação de presidente do Tribunal de Recurso


Díli, 14 ago 2025 (Lusa) – A presidência timorense contestou a decisão do Tribunal de Recurso sobre a inconstitucionalidade da nomeação de Afonso Carmona como presidente daquela instância judicial, anunciou hoje o chefe de Estado em conferência de imprensa.


“Foi entregue ao Tribunal de Recurso um documento pelos advogados, porque a forma como tomaram esta decisão viola também as regras”, declarou José Ramos-Horta, em conferência de imprensa no Palácio da Presidência, em Díli.


O também prémio Nobel da Paz criticou ainda o antigo Presidente timorense Francisco Lu Olo Guterres, que na semana passada afirmou  que a nomeação violava a Constituição da República Democrática de Timor-Leste.


“Ouvi recentemente o ex-Presidente Francisco Lu Olo Guterres dizer novamente que a nomeação do Presidente do Tribunal de Recurso é inconstitucional. Mas é preciso lembrar que, no oitavo Governo, junto com Mari Alkatiri, eles também violaram a Constituição”, acusou Ramos-Horta.


O chefe de Estado recordou que, naquele período, o Governo liderado pelo primeiro-ministro Taur Matan Ruak caiu porque o Orçamento do Estado não foi aprovado pelo parlamento e o próprio primeiro-ministro apresentou o seu pedido de demissão, mas o então Presidente Francisco Guterres não agiu em conformidade.


Apesar das críticas, Ramos-Horta garantiu que não guarda ressentimento e considera Lu Olo “uma boa pessoa”.


O Tribunal de Recurso timorense declarou inconstitucional a alteração à lei da Organização Judiciária, aprovada pela maioria parlamentar, para a nomeação do presidente daquela instância judicial.


Na decisão, o coletivo de juízes declarou com “força obrigatória geral, a inconstitucionalidade” da alteração, que permite a “ingerência do Presidente da República e um desrespeito institucional ilimitado, um precedente que atenta ao Estado de Direito”.


O parlamento timorense aprovou, em abril, alterações à lei da organização judiciária, permitindo que o chefe de Estado possa nomear o presidente do Tribunal de Recurso entre os juízes timorenses com mais de 20 anos de carreira e que não integre os quadros daquele órgão.


Apesar das fortes críticas dos líderes da oposição, o Presidente timorense promulgou a lei e nomeou de imediato o juiz de segunda classe Afonso Carmona para o cargo de presidente do Tribunal de Recurso, tendo este tomado posse no passado dia 29 de abril.


Num comunicado, divulgado em 04 de agosto, a Presidência de Timor-Leste denunciou irregularidades e ilegalidades na distribuição do processo e na composição da plenária do Tribunal de Recurso que analisou o pedido de verificação abstrata da constitucionalidade da alteração à Lei da Organização Judiciária.


A Presidência timorense denunciou também a “existência de conflitos  de interesse” e “grave violação” de legislação diversa “que deveria ser aplicada ao processo”.


“Além destes considerandos, outros mais poderiam ser explanados, contudo, em tempo oportuno serão adotadas medidas constitucionais legais a fim de obstar um erro judiciário suscetível de afetar de forma grave a vida social e económica da sociedade timorense”, acrescenta-se no comunicado da Presidência timorense.


DPYF // VM

Lusa/Fim


segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Austrália vai reconhecer o Estado da Palestina nas Nações Unidas em Setembro

Público - Reuters

“A solução de dois Estados é a melhor esperança da humanidade para quebrar o ciclo de violência no Médio Oriente e pôr fim ao conflito, ao sofrimento e à fome em Gaza”, disse Albanese.


A Austrália vai reconhecer um Estado palestiniano na Assembleia Geral das Nações Unidas do próximo mês, disse o primeiro-ministro do país, Anthony Albanese, nesta segunda-feira, uma medida que aumenta a pressão internacional sobre Israel depois de anúncios semelhantes da França, Grã-Bretanha e Canadá.


“A Austrália vai reconhecer o Estado da Palestina na 80ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Setembro, para contribuir para o impulso internacional no sentido de uma solução de dois Estados, um cessar-fogo em Gaza e a libertação dos reféns”, disse Albanese num comunicado.


Albanese disse aos jornalistas em Camberra que o reconhecimento seria baseado nos compromissos que a Austrália recebeu da Autoridade Palestiniana, incluindo que o grupo militante islâmico Hamas não teria qualquer envolvimento em qualquer futuro Estado.


“A solução de dois Estados é a melhor esperança da humanidade para quebrar o ciclo de violência no Médio Oriente e pôr fim ao conflito, ao sofrimento e à fome em Gaza”, disse Albanese numa conferência de imprensa.


Albanese disse que falou com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, na quinta-feira e que lhe disse que era necessária uma solução política e não Militar.


Na semana passada, a Austrália criticou o plano de Israel de assumir o controlo militar de Gaza, e Albanese disse que a decisão de reconhecer um Estado palestiniano foi “ainda mais forçada” pelo desrespeito de Netanyahu pelos apelos da comunidade internacional e pelo não cumprimento das obrigações legais e éticas em Gaza.


“O Governo de Netanyahu está a extinguir a perspectiva de uma solução de dois Estados ao expandir rapidamente os colonatos ilegais, ao ameaçar com a anexação dos Territórios Palestinianos Ocupados e ao opor-se explicitamente a qualquer Estado palestiniano”, afirmou Albanese na declaração conjunta com a ministra dos Negócios Estrangeiros, Penny Wong.


Os compromissos assumidos pela Autoridade Palestiniana no sentido de reformar a governação, desmilitarizar e realizar eleições gerais, bem como as exigências da Liga Árabe no sentido de o Hamas pôr termo ao seu domínio em Gaza, criaram uma oportunidade, afirmou, acrescentando: “Esta é uma oportunidade para isolar o Hamas”.


Wong disse que informou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sobre a decisão da Austrália.O Presidente dos EUA, Donald Trump, criticou no mês passado a decisão do Canadá de apoiar o Estado palestino e Rubio disse que a decisão da França foi Imprudente.


O embaixador de Israel em Camberra, Amir Maimon, criticou a decisão da Austrália na rede social X, considerando-a prejudicial para a segurança de Israel e para as negociações sobre os reféns.


No mês passado, Albanese não se comprometeu publicamente com um prazo para o reconhecimento e tem-se mostrado cauteloso com a divisão da opinião pública australiana em relação a Gaza.


Dezenas de milhares de manifestantes marcharam pela Harbour Bridge, em Sydney, este mês, apelando à entrega de ajuda em Gaza, à medida que a crise humanitária se agravava.


Albanese disse na segunda-feira que a “preocupação maciça” com a devastação em Gaza não veio apenas de líderes internacionais, mas de membros da comunidade.


A Nova Zelândia disse que iria considerar a sua posição sobre o reconhecimento da Palestina este mês.


Israel lançou o seu ataque a Gaza depois de os combatentes liderados pelo Hamas terem invadido cidades israelitas perto da fronteira, matando cerca de 1200 pessoas e capturando 251 reféns a 7 de Outubro de 2023.


Desde então, as forças israelitas mataram pelo menos 60 mil pessoas em Gaza, segundo as autoridades sanitárias locais, e reduziram grande parte do enclave a ruínas.


A subnutrição é generalizada no enclave devido ao que as agências internacionais de ajuda humanitária dizem ser um plano deliberado de Israel para restringir a ajuda. Israel rejeita essa alegação, culpando o Hamas pela fome dos palestinianos e afirmando que foi distribuída muita ajuda.


Antigo PR timorense Lu Olo acusa José Ramos-Horta de não respeitar a Constituição



Díli, 11 ago 2025 (Lusa) - O antigo chefe de Estado timorense Francisco Guterres Lu Olo acusou hoje o Presidente José Ramos-Horta de desrespeitar aConstituição, depois de o Tribunal de Recurso ter declarado inconstitucional a alteração a lei para a nomeação de juízes.

"Quando a decisão do Presidente da República viola a Constituição, isso significa que não está a respeitá-la. É isso que quero afirmar claramente", afirmou FranciscoGuterres Lu Olo, também presidente da FrenteRevolucionária de Timor-Leste Independente (Fretilin).

O ex-Presidente, que falava em conferência de imprensa, em Díli, sublinhou que "quando uma decisão de um chefe de Estado não respeita a Constituição e não observa normas e princípios constitucionais é uma decisão errada ou irresponsável".

"O que acontece quando o Presidente da República insiste em reiterar ou continuar a defender essa decisão?

A primeira consequência é para o nosso Estado de Direito democrático. A nível internacional, a atuação do Presidente será questionada, especialmente quanto à imagem de Timor-Leste perante a comunidade internacional", lamentou Lu Olo.

O ex-chefe de Estado manifestou ainda preocupação pelo facto de, numa altura em que Timor-Leste se prepara para se tornar membro de pleno direito da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em outubro, os líderes políticos estejam a colocar os seus interesses acima do sistema judicial.

"Estamos prestes a tornar-nos membros da ASEAN. O que acontece se, internamente,  não cumprimos a
Constituição, nem a lei, nem as decisões dos nossos tribunais", questionou.

O Tribunal de Recurso timorense declarou inconstitucional a alteração à lei da Organização Judiciária, aprovada pela maioria parlamentar, para a nomeação do presidente daquela instância judicial.

A alteração à lei passou a permitir que o chefe de Estado possa nomear o presidente da mais alta instância judicial timorense entre os juízes com mais de 20 anos de carreira e que não integre os quadros daquele órgão.

Na decisão, o coletivo de juízes declarou com "força obrigatória geral, a inconstitucionalidade" da alteração, que permite a "ingerência do Presidente da República e um desrespeito institucional ilimitado, um precedente que atenta ao Estado de Direito".

Em comunicado, divulgado na segunda-feira, a Presidência de Timor-Leste denunciou irregularidades e ilegalidades na distribuição do processo e na composição da plenária do Tribunal de Recurso que analisou o pedido de verificação abstrata da constitucionalidade da alteração à Lei da Organização Judiciária.

A Presidência timorense denunciou também a "existência de conflitos de interesse" e "grave violação" de legislação diversa "que deveria ser aplicada ao processo".

"Além destes considerandos, outros mais poderiam ser explanados, contudo, em tempo oportuno serão adotadas medidas constitucionais legais a fim de obstar um erro judiciário suscetível de afetar de forma grave a vida social e económica da sociedade timorense", acrescenta-se no comunicado da Presidência timorense.

DPYF // VM

Lusa/Fim

sábado, 15 de março de 2025

Trump considera restrições de vistos para Timor-Leste e outros países da CPLP

Foto, Facebook

Timor Hau Nian Doben - Fonte Reuters

A administração de  Trump está a considerar a imposição de amplas restrições de viagem para cidadãos de dezenas de países, no âmbito de uma nova proibição, de acordo com fontes próximas do assunto e um memorando interno consultado pela Reuters.

Um responsável dos EUA, que falou sob condição de anonimato, alertou que a lista ainda pode sofrer alterações e que a medida aguarda aprovação final da administração, incluindo  o Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Segundo um documento interno, Timor-Leste foi classificado no terceiro grupo de países que podem enfrentar uma suspensão condicional de vistos caso não resolvam determinadas deficiências identificadas pelos Estados Unidos da América (EUA). 

Este terceiro grupo inclui países como Angola, Antígua e Barbuda, Bielorrússia, Benim, Butão, Burkina Faso, Cabo Verde, Camarões, Chade, Camboja, Comores, República Democrática do Congo, Dominica, Guiné Equatorial, Gâmbia, Libéria, Malawi, Mauritânia, Paquistão, República do Congo, São Cristóvão e Nevis, Santa Lúcia, São Tomé e Príncipe, Serra Leoa, Timor-Leste, Turquemenistão e Vanuatu.

O governo de Trump exigirá que os países desta lista adotem medidas para corrigir as falhas identificadas dentro de um prazo estipulado pelos Estados Unidos. Caso não cumpram essas exigências, poderão enfrentar restrições na emissão de vistos, afetando viagens, estudos e oportunidades de trabalho nos EUA.

Embora Timor-Leste não esteja na lista dos países sujeitos a uma suspensão total de vistos, existe a possibilidade de que enfrente restrições se o governo não abordar as questões de segurança levantadas pelos EUA.

Quase todos os países da Comunidade dos  Países de Língua Portuguesa (CPLP) estão incluídos na lista de possíveis restrições de vistos da administração Trump, com a excepção do Brasil, Portugal, Moçambique e Guiné-Bissau. 

Esta possível medida do governo de Donald Trump poderá vir a afetar as relações diplomáticas entre os Estados Unidos e a CPLP.

sexta-feira, 14 de março de 2025

Prabowo denunciou falta de médicos em Atambua e Xanana agride verbalmente jornalista

Foto, Facebook.

Timor Hau Nian Doben

O Presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, fez duras críticas ao hospital de Atambua durante a campanha presidencial de 2024, afirmando que a unidade hospitalar enfrentava uma grave escassez de médicos, uma situação que, segundo ele, se repetia por todo o país.

“Acredito que os dados são bastante claros,  temos uma escassez de 140 mil médicos. Por exemplo, em Atambua, há um hospital onde deveria haver 16 médicos, mas apenas um está disponível”, afirmou Prabowo no ano passado, durante o debate final entre candidatos presidenciais no Centro de Convenções de Jacarta.

Na altura, Prabowo Subianto defendeu que o governo deveria adotar medidas urgentes e enfatizou a necessidade de enviar, com caráter de urgência, estudantes para formação no estrangeiro.

“Seja como for, penso que o governo deve tomar medidas de emergência e, para isso, temos de adotar ações ousadas, como enviar o maior número possível de estudantes para formação no exterior”, afirmou o Presidente da Indonésia.

Por outro lado, em Timor-Leste, o Presidente da República, Ramos-Horta, e o primeiro-ministro Xanana Gusmão, defendem que, para "poupar dinheiro" e devido à sua proximidade, Atambua poderá ser uma alternativa para os doentes que não podem ser tratados em Timor-Leste devido à falta de recursos humanos e técnicos.

“A transferência de pacientes para tratamento em Atambua justifica-se pela proximidade com Timor-Leste e pelos custos reduzidos”, argumentou Horta.

“Em vez de enviarmos doentes para a Malásia, Singapura ou para outros locais da Indonésia, o que pode custar milhões de dólares anualmente, esta opção pode ser mais barata”, disse Xanana Gusmão.

A decisão de Gusmão e Horta gerou uma onda de revolta entre os timorenses, que a consideraram “uma traição” ao povo. Muitos argumentam que se trata de um retrocesso e que seria preferível investir nos hospitais timorenses, em vez de enviar doentes para um hospital numa "cidadezinha" da Indonésia. Um internauta chegou a desabafar no Facebook: “Prefiro morrer no Hospital Guido Valadares a ir morrer num hospital em Atambua.”

Ontem, ao ser questionado por uma jornalista sobre a transferência de doentes para o hospital de Atambua, Xanana Gusmão reagiu de forma descontrolada e intimidatória, agredindo verbalmente a jornalista que lhe fez a pergunta, perante o sorriso cínico de Ramos-Horta e da ministra da Saúde, Nona Élia do Amaral. (VER VÍDEO AQUI).

“Não é para transferir, eu nunca disse isto, é para ir ver as condições lá, se houver alguma doença que possamos precisar, nós mandamos para lá, não é para mandar todos (doentes) e fechar o Hospital Guido Valadares”, gritou.

Xanana move-se então de forma intimidatória para a jornalista e ironizou que talvez não soubesse falar Tétum. 

“Quando ouve tem de se tentar compreender. Fala Tétum ou não?Não fala Tétum, fala Mambai, por isso não compreende”, disse com ar de gozo perante uma plateia de jornalistas que se riram com ele.

A justificação de Xanana Gusmão e o seu jogo de palavras, ao afirmar que não se trata de "transferir" mas sim de "enviar" doentes para Atambua, geraram uma onda de sarcasmo nas redes sociais, com muitos a questionarem se o primeiro-ministro conhece os sinónimos da palavra transferir.

“Enviar’ e ‘transferir’ são palavras diferentes no texto e no contexto, mas a intenção é a mesma: ‘para Atambua’. Por isso, Xanana não deve mentir nem menosprezar os outros para se justificar", escreveu Lorico no Facebook.

terça-feira, 11 de março de 2025

Ramos-Horta insiste na evacuação de doentes para Atambua e apela a críticas conscientes


Timor Hau Nian Doben - Fonte STL em Tétum

O Presidente da República, Ramos-Horta, afirmou hoje que a transferência de pacientes para tratamento em Atambua se justifica pela proximidade com Timor-Leste e pelos custos reduzidos. Por esse motivo, apelou aos intelectuais e académicos para que critiquem com consciência e reflexão.

"Algumas pessoas que comentam sobre esta questão nem sempre compreendem profundamente os problemas de Timor e, por vezes, certos intelectuais e académicos não analisam devidamente as razões por detrás desta decisão antes de fazerem comentários. Mas a explicação é simples: o Hospital de Atambua está muito próximo da fronteira, em Maliana, e muitas famílias timorenses residem em Atambua. Além disso, um dos maiores problemas são os doentes renais, pois o Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV) nem sempre dispõe de máquinas suficientes ou, por vezes, estas avariam. Assim, para resolver o problema de forma imediata, a melhor opção é encaminhá-los para Atambua", declarou Ramos-Horta.

O chefe de Estado acrescentou que, embora o Governo esteja atualmente a trabalhar para melhorar as infraestruturas e os serviços de tratamento para os pacientes, os recursos ainda não são suficientes. Assim, em casos de emergência, a evacuação para Atambua torna-se uma alternativa viável.

"É verdade que Timor-Leste já tem algumas capacidades no HNGV e tem conseguido salvar muitas vidas. Lembro-me de um momento em que estive no hospital e vi um caso crítico em que quatro médicos timorenses conseguiram salvar um paciente que estava prestes a falecer. As pessoas comentaram nas redes sociais, elogiando os médicos. No entanto, há situações que exigem a transferência imediata para Atambua. No meu próprio gabinete presidencial, um dos meus funcionários sofreu um acidente vascular cerebral e eu próprio autorizei que fosse tratado em Kupang. No momento em que lá esteve, passou por Atambua para alguns procedimentos e recebeu um tratamento adequado, tendo ficado satisfeito", disse.

Ramos-Horta sublinhou ainda que Timor-Leste mantém boas relações com a província de Nusa Tenggara Timur (NTT), na Indonésia, e que esta colaboração deve ser encarada de forma positiva. No entanto, criticou aqueles que aproveitam estas situações para propagar discursos negativos.

Recentemente, o primeiro-ministro,  Xanana Gusmão, afirmou que o Presidente da República visitou o hospital de Atambua e constatou que possui boas infraestruturas. Por isso, considera que, quando um paciente não puder ser tratado no HNGV, a sua transferência para Atambua pode ser uma solução viável e mais acessível, evitando custos elevados com tratamentos em Singapura, Malásia ou outros países com despesas médicas superiores.

Deputada da Fretilin exige explicações sobre morte de bebé no HNGV por falha elétrica

Foto, Facebook

Timor Hau Nian Doben

A deputada da Fretilin, Nurima Alkatiri, exigiu explicações urgentes do governo sobre a tragédia que ocorreu recentemente no Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV), onde a falta de eletricidade resultou na morte de um recém-nascido que necessitava de uma incubadora. 

A parlamentar considera inaceitável que, em pleno século XXI, o maior hospital do país não consiga garantir um serviço tão básico como a eletricidade, comprometendo vidas humanas.

“Como é possível que, num hospital de referência, falhe algo tão essencial como a eletricidade? Esta tragédia não pode ser vista como um mero incidente, mas sim como um reflexo da má gestão e da falta de compromisso com a saúde pública”, afirmou Nurima Alkatiri.

A deputada dirigiu perguntas urgentes ao governo, exigindo esclarecimentos e ações imediatas.

“Onde está o gerador do HNGV e por que motivo não funcionou no momento crítico? O hospital deveria estar devidamente equipado e preparado para emergências como esta. Quem é responsável por esta negligência? Todos os anos são alocados milhões de dólares ao setor da saúde, mas os serviços continuam a deteriorar-se devido a má gestão e ausência de liderança. Quem assumirá a responsabilidade por este nível de incompetência, que custa vidas humanas?Até quando o sistema de saúde continuará a colapsar? Há falta de medicamentos, equipamentos e profissionais qualificados em número suficiente. Agora, até a eletricidade falha, sem um sistema de backup funcional. Que medidas pretende o Governo implementar para evitar que tragédias como esta voltem a acontecer?”, perguntou  a parlamentar.

Nurima Alkatiri sublinhou que a morte deste bebé não pode ser reduzida a uma simples estatística. 

“Isto não é apenas um número, mas sim uma consequência direta da irresponsabilidade dos governantes e da falta de compromisso com o bem-estar da população. O povo timorense não pode continuar a ser tratado com negligência. O tempo das desculpas acabou. Exigimos respostas, soluções concretas e medidas urgentes para garantir um sistema de saúde digno, funcional e de qualidade”, concluiu a parlamentar.

A crise na saúde em Timor-Leste gera uma grande preocupação entre os timorenses. No passado mês de janeiro, foram registadas 600 mortes em 48 horas no hospital da capital. A direção do Hospital Nacional Guido Valadares admitiu também que as mortes registadas em 2024 estão acima dos padrões estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde.

segunda-feira, 10 de março de 2025

Xanana na mira da justiça por suspeitas de corrupção e nepotismo

Timor Hau Nian Doben

Os governos liderados pelo atual primeiro-ministro, Xanana Gusmão, entre 2007 e 2015, estão sob investigação do Tribunal de Contas devido a perdas financeiras significativas identificadas nesse período, que totalizam 2,3 biliões de dólares.

Entre as principais irregularidades apontadas, destaca-se a adjudicação direta da empresa Esperança Timor Oan (ETO) sem concurso público, resultando, alegadamente, numa perda de 1,4 bilião de dólares para o Estado. A ETO pertence a Nilton Gusmão, sobrinho de Xanana, o que levanta suspeitas de favorecimento dentro dos seus sucessivos governos.

Além de beneficiar o sobrinho, há suspeitas de favorecimento à filha Zenilda Gusmão. Uma investigação da ABC Radio Australia revelou que a empresa Prima Food, na qual Zenilda era uma das principais acionistas, recebeu, em 2008, um contrato governamental no valor de 3,5 milhões de dólares para o fornecimento de arroz. Esta ligação levanta sérias questões sobre possíveis conflitos de interesse e práticas de nepotismo dentro dos governos do primeiro-ministro.

Outro exemplo de gestão irregular envolve a construção da ponte de Comoro, inicialmente orçada em 22 milhões de dólares, mas cujo custo final atingiu 265 milhões de dólares, sem, ao que se diz, qualquer explicação plausível. O paradeiro de 243 milhões de dólares, segundo consta, continua desconhecido.

Há ainda suspeitas sobre outros projetos de grande escala, incluindo o porto naval de Hera, o fornecimento de combustível para as centrais elétricas de Hera e Betano, a autoestrada entre Suai e Covalima, bem como a construção de casas destinadas à população vulnerável.

A auditoria ao atual governo ainda está em curso, mas há indícios de que a ministra da Saúde, Élia do Amaral, poderá também estar na mira da justiça por diversas irregularidades, incluindo abuso de poder ao adjudicar contratos de compra de medicamentos diretamente à empresa Salimago, sem concurso público. Os medicamentos adquiridos, sem garantia de qualidade, foram descartados há algumas semanas, enquanto hospitais por todo o país enfrentam escassez de fármacos básicos, como paracetamol.

O chefe do governo reagiu a estas acusações, afirmando que “a população já não confia na justiça, incluindo ele próprio, devido às inúmeras irregularidades existentes no sistema judicial”.

O primeiro-ministro revelou que recebeu documentos da Câmara de Contas e do Tribunal de Recurso de Timor-Leste, resultantes de uma auditoria realizada em 2015, que alegam o envolvimento dele e de outros membros do governo em vários casos de corrupção.

"Nestes documentos, mencionam que o primeiro-ministro Xanana, o Gastão, a Santina e outros se apropriaram indevidamente de dinheiro do Estado em 2015. Foi por isso que apresentei esta questão ao Presidente da República, pois agora a Dra. Lúcia Lobato tem a responsabilidade de melhorar o sistema de justiça. Há muitas pessoas que se sentem injustiçadas, porque as suas terras foram ocupadas e os seus bens confiscados sem qualquer indemnização. Como resultado, deixaram de acreditar na justiça. Eu próprio já não confio", declarou Xanana.

O Parlamento Nacional aprovou, há cerca de duas semanas, a votação final global de uma nova lei que regula o recrutamento de magistrados e defensores públicos não timorenses, abrindo caminho para o regresso de juizes e magistrados estrangeiros a Timor-Leste, após terem sido expulsos pelo governo de Gusmão em 2014.

Na altura, Xanana acusou os juízes de “incompetência”, responsabilizando-os de alegadamente terem lesado o Estado timorense em 28 milhões de euros e deu-lhes 48 horas para saírem do país.

O jornal português, Diário de Notícias, relatou, em 5 de novembro de 2014, que “os portugueses expulsos investigavam oito ministros do governo de Xanana. Juízes e procuradores estavam ligados a uma verdadeira operação ‘Mãos Limpas’, que decorria há três anos. Um deles era juiz titular do processo contra a ministra das Finanças de Timor-Leste”.

"Um verdadeiro golpe de Estado e um afastamento por motivos políticos. Estas terão sido as razões para o governo de Timor, liderado por Xanana Gusmão, ter ordenado a expulsão de oito portugueses, entre cinco juízes, dois procuradores e um oficial da PSP, segundo fontes conhecedoras do processo contaram ao DN. Os oito expulsos estavam ligados à investigação de vários ministros do executivo timorense por corrupção, numa autêntica operação Mãos Limpas que decorria há cerca de três anos", noticiou o jornal português.

sexta-feira, 7 de março de 2025

Horta e Xanana são a vergonha nacional e condenam doentes timorenses a Atambua


Zizi Pedruco 

Ramos-Horta e Xanana Gusmão atingiram um novo patamar de vergonha nacional ao condenarem os doentes timorenses a serem tratados em Atambua, Indonésia.

Os dois "donos disto tudo" decidiram que a melhor solução para a saúde dos timorenses era entregá-la a uma cidadezinha Indonésia mais pobre do que Timor-Leste. E o nosso Presidente, que agora parece um especialista em saúde só porque fez uma visita a um hospital em Atambua! Eu queria era vê-lo a visitar os hospitais e centros de saúde em Timor-Leste, a ver a miséria em que estão e, depois, exigir ao governo que investisse seriamente nesta área crucial para a vida dos timorenses.

Mas não, agora até Atambua vai lucrar com os nossos petrodólares! Como se não tivéssemos onde gastar esse dinheiro em Timor, como se não fosse óbvio que investir nos nossos próprios hospitais daria a TODOS os timorenses o tratamento digno e profissional que merecem. Mas, claro, isso daria muito trabalho a esta corja de bandidos, e isso é que não. Certo? Sim!

Dizem Horta e Xanana que esta decisão é para poupar dinheiro, porque sai mais barato mandar doentes para Atambua do que para outros lados do mundo. Mas umas perguntas pertinentes que eu tenho para estes senhores: já não pouparam o suficiente quando roubaram, durante anos, milhares de milhões dos cofres do Estado? Dinheiro que pertence ao povo, mas que vocês pilham como se fosse vosso! Não pouparam o suficiente quando sugaram o sangue deste povo para beneficiar os vossos amigos e familiares, enchendo-lhes os bolsos com cargos de luxo, contratos milionários e privilégios pagos pelo suor de quem trabalha de verdade?

E este povo, o mesmo que vos deu de bandeja esta independência, o que recebeu em troca? Um país onde a saúde e a educação são um privilégio e não um direito, onde os hospitais são armazéns de doentes sem condições, onde os jovens não veem futuro e os velhos morrem esquecidos. Um país onde os mesmos rostos se agarram ao poder como sanguessugas, garantindo que as suas famílias vivem no luxo enquanto a maioria luta pela sobrevivência. Até hoje, pouco ou nada foi dado de volta ao verdadeiro herói da Pátria Maubere, o povo!

Entretanto, Timor-Leste, rico em petróleo e gás, vai continuar a exportar doentes em vez de construir um sistema de saúde decente. Porque, pelos vistos, o IX governo descobriu que é mais barato mandar os doentes embora do que fazer o que realmente importa. Se fosse ao contrário, e fossem os doentes de Atambua a serem transferidos para Díli, até faria algum sentido. Mas não, aqui estamos nós, a baixar ainda mais a cabeça e a atirar a dignidade nacional para o caixote do lixo.

E depois há aquela personagem especial: a ministra da Saúde, que já devia ter sido demitida há séculos. Mas, pelos vistos, a sua alegada relação amorosa com Xanana Gusmão tem mais peso do que qualquer interesse nacional. Ela não é só ministra da Saúde, é o verdadeiro interesse supremo da nação… ou melhor, de Xanana Gusmão.

Hoje entregam a saúde, amanhã entregam Naktuka à Indonésia. Estarão Ramos-Horta e Xanana a preparar, discretamente, uma nova integração? Será que amanhã veremos Eurico Guterres nomeado ministro timorense residente na Indonésia, uma espécie de embaixador sem título oficial, mas com privilégios de luxo?

Ou talvez, com os cofres do Estado a esvaziarem-se a uma velocidade recorde e o país cada vez mais perto de se tornar num Estado falhado (falta pouco!), estejam simplesmente a preparar um lugarzinho seguro para onde possam fugir. Quando já não houver nada para roubar, quando a destruição estiver completa, talvez os vejamos a gozar as suas "merecidas" reformas em palácios luxuosos construídos em Atambua, pagos com o sofrimento e o sangue do povo timorense.

Xanana e Ramos-Horta, que um dia foram heróis nacionais, agora brilham mais como palhaços de circo,  mas daqueles que ninguém acha graça, que fazem truques baratos e mal ensaiados, tropeçando nas próprias mentiras enquanto a plateia, incrédula, assiste a este espetáculo de decadência e vergonha nacional.

Quo Vadis, Ramos-Horta e Xanana Gusmão?

Ler também: Governo timorense considera enviar pacientes para hospitais em Atambua para poupar dinheiro

Xanana denuncia irregularidades e admite que já não confia na justiça timorense


Timor Hau Nian Doben - Fonte STL em Tétum

O primeiro-ministro Xanana Gusmão, afirmou hoje que a população já não confia na justiça, incluindo ele próprio, devido às inúmeras irregularidades existentes no sistema judicial.

Gusmão fez esta declaração aos jornalistas após a reunião semanal com o Presidente da República, Ramos-Horta.

O primeiro-ministro revelou que recebeu documentos da Câmara de Contas e do Tribunal de Recurso de Timor-Leste, resultantes de uma auditoria realizada em 2015, os quais alegam que ele e outros membros do governo estiveram envolvidos em numerosos casos de corrupção.

"Nestes documentos, mencionam que o primeiro-ministro Xanana, o Gastão, a Santina e outros se apropriaram indevidamente de dinheiro do Estado em 2015. Foi por isso que apresentei esta questão ao Presidente da República, pois agora a Dra. Lúcia Lobato tem a responsabilidade de melhorar o sistema de justiça. Há muitas pessoas que se sentem injustiçadas, porque as suas terras foram ocupadas e os seus bens foram confiscados sem qualquer indemnização. Como resultado, deixaram de acreditar na justiça. Eu próprio já não confio", declarou.

O chefe do governo acrescentou que a sua falta de confiança na justiça deve-se, entre outros fatores, às conclusões das auditorias entregues pelo Tribunal de Contas ao primeiro-ministro, onde encontrou diversas incoerências. Sublinhou ainda que muitos juízes não compreendem português e, por essa razão, acabam por assinar documentos sem os analisarem devidamente.

"Os nossos juízes não sabem ler em português e, quando leem, não compreendem. Limitam-se a assinar os documentos. Foi isso que mostrei ao Presidente. Coitado, analisou a situação e viu que, em 2015, quando eu ainda era Primeiro-Ministro, muitas decisões da MPI foram consideradas ilegais, ilegais, ilegais", afirmou Xanana.

O primeiro-ministro disse ainda que leu a auditoria de 2015 e encontrou várias irregularidades, sublinhando que a legislação citada nos documentos remonta a 1976, uma época em que Timor-Leste ainda lutava contra a ocupação indonésia.

"Timor estava em guerra, morreram muitas pessoas, e agora dizem que aplicaram leis de 1976, quando o inimigo invadiu o país a 7 de dezembro de 1975. Mas, nessa altura, os portugueses que estavam aqui em Díli não atuavam dessa maneira. Isto é um absurdo, não faz sentido", criticou.

Xanana reforçou que os relatórios da Câmara de Contas estão repletos de erros, pois os juízes, por não dominarem a língua portuguesa, assinam documentos sem os lerem.

"Como os nossos juízes não sabem português, nem sequer leem os documentos. Assinam-nos sem os compreenderem. Agora, estou apenas à espera do momento em que me chamem para a prisão. Fico à espera", disse o primeiro-ministro.

Xanana explicou que levou os documentos da auditoria ao Presidente da República para demonstrar que o Tribunal de Contas não está a cumprir devidamente a sua função.

"Não estou a defender-me. Se for preso, vou preso, não há problema. Já estive preso duas vezes. Vocês sabem que, quando alguém estuda na universidade, obtém a licenciatura e depois pode fazer um mestrado. Eu fiz um 'S7', porque passei sete anos na 'universidade fechada' da Indonésia. Fiz um curso intensivo e concluí a licenciatura em apenas um ano, a custar 7 dólares americanos", ironizou.

O primeiro-ministro realçou que apresentou estes documentos ao Presidente para que ele avalie a situação do sistema judicial do país. Por essa razão, o governo nomeou a Dra. Lúcia Lobato para analisar o funcionamento da justiça em Timor-Leste.

"Por vezes falamos sobre problemas na educação, na saúde e noutras áreas. Mas, na Constituição, todas as instituições do Estado estão enfraquecidas. Precisamos de as reformar. Foi por isso que, no ano passado, o governo enviou 40 estudantes para Portugal, para que pudessem aprender e, no futuro, ajudar a resolver as dificuldades na administração pública, sobretudo a barreira linguística com o português", concluiu Xanana Gusmão.

Ler também: Fretilin e PLP denunciam ataque à soberania com lei sobre magistrados estrangeiros

Xanana e os magistrados estrangeiros: traidor da pátria uma vez, sempre traidor

quinta-feira, 6 de março de 2025

Governo timorense considera enviar pacientes para hospitais em Atambua para poupar dinheiro


Timor Hau Nian Doben 

O governo timorense pondera mandar pacientes com doenças que não podem ser tratadas no país para unidades hospitalares em Atambua, Indonésia.

Segundo a agência de notícias Tatoli, esta informação foi divulgada hoje pelo primeiro-ministro Xanana Gusmão, após o encontro semanal com o chefe de Estado, Ramos-Horta.

Na reunião, o Presidente da República abordou a questão da referência de pacientes. Recentemente, durante a sua visita a Atambua, e com base nas suas observações, recomendou que esta possibilidade fosse estudada.

"Vou discutir este assunto com o ministério competente, pois, de acordo com as informações de que dispomos, os hospitais de Atambua possuem uma boa capacidade técnica. Quando surgem doenças que não conseguimos tratar em Timor-Leste, esta pode ser uma alternativa", afirmou Xanana Gusmão, citado pela Tatoli.

O primeiro-ministro afirmou que esta medida poderá poupar dinheiro ao país com as despesas dos tratamentos efetuados no estrangeiro.

“Em vez de enviarmos doentes para a Malásia, Singapura ou para outros locais da Indonésia, o que pode custar milhões de dólares anualmente, esta opção pode ser mais barata”, disse.

Gusmão salientou que o “governo está a estudar uma possível parceria com Brunei Darussalam no setor da saúde relativamente à formação de médicos timorenses em programas com duração de seis a 12 meses,  de especialização em cirurgia cardíaca”.

Nas redes sociais, estas declarações de Xanana Gusmão não foram bem recebidas por muitos internautas, que, em uníssono, consideram-nas uma "traição à luta timorense" e uma "vergonha" o facto de se enviar pacientes para Atambua, quando Timor-Leste é um país rico em recursos naturais.

ONG timorense condena casos de assédio sexual nas escolas do país


Díli, 06 mar 2025 (Lusa) – A organização não-governamental Fórum de Comunicação das Mulheres de Timor-Leste (Fokupers, sigla em inglês) condenou hoje os casos de assédio sexual nas escolas do país e exigiu a “atenção urgente” da sociedade e do Estado timorenses.

“As escolas e universidades devem ser espaços seguros para a aprendizagem e o desenvolvimento das novas gerações, guiadas pelo espírito de sabedoria, e não locais de violência”, afirmou Filomena Barros dos Reis, porta-voz da Fokupers, em conferência de imprensa realizada na sede daquela organização não-governamental, em Díli.

A semana passada o Ministério da Educação denunciou publicamente dois casos de assédio sexual em duas escolas do país, perpetrados alegadamente pelos diretores daqueles estabelecimentos de ensino.

“Ocorrem casos de abuso e assédio sexual em duas escolas secundárias, a Escola Secundária Geral Nicolau Lobato e a Escola Secundária Geral 5 de Maio, o que exige uma condenação firme da nossa parte”, sublinhou.

A Fokupers condenou aqueles crimes e disse que vai continuar a desenvolver ações de advocacia para
combater todas as formas de violência contra mulheres e raparigas, exigindo que as entidades governamentais tomem medidas concretas para garantir justiça às vítimas.

A organização não-governamental apelou ao Ministério da Educação para que, além da aplicação de sanções disciplinares, reforce os processos de investigação. Se os resultados das investigações indicarem indícios criminais, os casos devem ser encaminhados “rapidamente” para o sistema judicial, de forma a assegurar justiça justa e eficaz para as vítimas, notou.

Para prevenir situações de assédio sexual, a porta-voz apelou também à Ministra da Educação para que o recrutamento de diretores e professores seja realizado com o máximo de rigor, garantindo que os trabalhadores na área da educação exerçam as funções com profissionalismo, dedicação e respeito pelos princípios e valores dos direitos humanos.

Filomena Barros dos Reis solicitou à Provedoria dos Direitos Humanos e Justiça que assegure a implementação eficaz da lei, através da monitorização dos regulamentos e manuais, alinhando-os com os princípios dos direitos humanos e da boa governação, e destacou a importância da sensibilização sobre direitos humanos nos estabelecimentos de ensino.

A Fokupers, criada em 1997 e que protege mulheres vítimas de violência, registou desde o início do ano um total de 40 casos de violência baseada no género em todo o território nacional.

Atualmente, a organização não-governamental acolhe na sua Casa de Abrigo 56 mulheres.

DPYF/MSE// CAD

Lusa/Fim